Innovara Odontologia Moderna

Saúde bucal e Crianças: como estamos e será que podemos melhorar?

          

dia das crianças

          
          Quando nos referimos à saúde, exercícios físicos e alimentação saudável estão no topo da lista, e, com certeza, essas ações são as primeiras para quem quer prolongar seus anos dourados. Hoje, o conceito de um equilíbrio saudável é sinônimo de vida longa, mas, com um grande diferencial — a “qualidade” dessa vida é o que mais importa, e não só, por quanto tempo estaremos vivos. No entanto, mais uma preocupação deve fazer parte dessa busca — a saúde bucal como complemento da saúde do corpo e da mente.¹

          As doenças bucais podem causar dor, desconforto, limitações e outras condições decorrentes de fatores estéticos, que afetam a vida social, a alimentação, o exercício de atividades diárias e o bem-estar do indivíduo, levando a problemas significativos na qualidade de vida. Além disso, uma pobre condição de saúde bucal pode agravar outras condições graves, como as doenças cardíacas e o diabetes.² Nos EUA, o sistema de saúde Medicaid gasta acima de meio bilhão de dólares anualmente em consultas devido a urgências odontológicas, e que, normalmente, só tratam o sintoma ao invés de abordar a causa do problema.³


          No Brasil, a cárie dentária continua sendo o principal problema de saúde bucal. As crianças brasileiras de 5 anos de idade têm em média 2,3 dentes com cárie e 80% destes dentes não receberam nenhum tratamento.  Aos 12 anos, a doença atinge 56% delas.  Crianças de famílias em desvantagem socioeconômica têm mais lesões cariosas e menor acesso ao tratamento.4 A cárie não tratada pode afetar negativamente a qualidade de vida e gerar dor de dente, dificuldade para comer e dormir, redução do rendimento escolar,  crescimento e desempenho educacional.5

          Outro dado que merece atenção e que tem afetado as nossas crianças é a Hipomineralização de Molar e Incisivo (HMI). Um estudo realizado no Rio de  Janeiro mostrou uma prevalência de 40% de crianças com dentes envolvidos. Uma alteração no esmalte dentário caracterizado pela perda de estrutura leva a exposição da dentina e sensibilidade, fraturas e desgastes acentuados nos incisivos e molares permanentes.6 É importante ressaltar que crianças com HMI podem apresentar uma necessidade de tratamento odontológico até 10 vezes maior que outras sem esta alteração.


          Em relação a maloclusão (dentes tortos, mordidas alteradas), aos 12 anos, 38% das crianças brasileiras apresentam problemas. Em 20% dessas crianças, os problemas se expressam na forma mais branda, 11% têm a forma severa e 7% têm muito severa, sendo esta, a condição que requer tratamento mais imediato, constituindo-se em prioridade em termos de saúde pública. A maloclusão também pode impactar negativamente a qualidade de vida das nossas crianças.7

          O dia das crianças é reconhecido em várias nações ao redor do mundo para homenagear as crianças e a data efetiva de comemoração varia de país para país. Esse dia foi proclamado pela primeira vez durante a Conferência Mundial para o Bem-estar da Criança em Genebra em 1925. Neste ano de 2017, temos muitos motivos para comemorar, pois ser criança é maravilhoso e essa fase merece ser vivida intensamente! Precisamos ficar sempre atentos e repensar em como estamos cuidando dos nossos pequenos. Como odontopediatras, acreditamos que a busca por um tratamento interdisciplinar e baseado em evidências científicas, deve nortear a Odontologia.  Temos a certeza de que a prevenção e a busca da saúde na infância podem ter um efeito transformador em nossas crianças.

Escrito por  Dra. Patrícia Tannure e Dra. Daniele Cassol, odontopediatras da equipe INNOVARAKIDS.


Ref. Bibl.
1. http://www.brasil.gov.br/saude/2014/07/saude-bucal-influencia-qualidade-de-vida-e-inclusao-social
2. Li X, Kolltveit KM, Tronstad L, Olsen I. Systemic diseases caused by oral infection. Clin Microbiol Rev 2000; 13(4):547-58.
3. American Dental Association Health Policy Institute. Emergency Department Use for Dental Conditions Continues to Increase. Available at: “http://www.ada.org.
4. Finucane D. Rationale for restoration of carious primary teeth: a review. European Archives of Paediatric Dentistry 2012;13(6):281–92.
5. Ministério da Saúde. SB Brasil 2010 - Pesquisa Nacional de Saúde Bucal - Resultados Principais. Ministério da Saúde, Brasília, 2011.
6. Soviero V, Haubek D, Trindade C, Matta T, Poulsen S. Prevalence and distribution of demarcated opacities and their squeals in permanent first molars and incisor in 7 to 13-year-old Brazilian children. Acta Odontol Scand. 2009; 67(3): 170–5.
7. Dimberg L, Arnrup K, Bondemark L.The impact of malocclusion on the quality of life among children and adolescents: a systematic review of quantitative studies.

Eur J Orthod. 2015 Jun;37(3):238-47. doi: 10.1093/ejo/cju046. Epub 2014 Sep 11. Review

Por que procurar um dentista antes de iniciar o tratamento do Câncer?

          Aproveitando a chegada do mês de outubro e com ele a campanha do Outubro Rosa,  que apoia  a conscientização e a luta contra o câncer de mama e o compartilhamento de informações necessárias à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença, a Dra. Tatiana Franco, escreveu este artigo,  pensando não somente na Saúde da Mulher , mas de todo paciente diagnosticado com Câncer.

Innovara outubro rosa

 

           A cada dia, as pesquisas científicas vem demonstrando a necessidade do paciente ser  acompanhado por um dentista especializado antes, durante e após a Quimio, Radioterapia em cabeça e pescoço e Transplante de medula óssea, a  fim de se prevenir possíveis complicações e  agravos bucais, compremetendo não só, a qualidade de vida do paciente, como também o resultado do tratamento.

          Os principais efeitos adversos da terapia antineoplásica na cavidade bucal são o aparecimento de lesões inflamatórias e infecciosas – mucosite oral , doença do enxerto contra o hospedeiro, candidíase oral, herpes e cáries de radiação – além de necroses ósseas como a osteonecrose e a osteorradionecrose. Alterações salivares e xerostomia também são muito prevalentes,  levando às doenças cárie e periodontal e predispondo as mucosas ao aparecimento de lesões. É muito importante que o dentista avalie a chance do desenvolvimento de xerostomia, mediante a terapia escolhida e que medidas para prevenção e controle sejam ofertadas . Segundo a Dra. Tatiana, o objetivo principal é contribuir ao máximo com o bem-estar e a qualidade de vida do paciente e com o resultado do tratamento.

          A mucosite Oral é a mais prevalente lesão inflamatória nas mucosas da boca e que deve ser prevenida antes que se torne severa,  com a instituição da Fotobiomodulação (laserterapia), tratamento com comprovação científica e muito eficaz no controle do aparecimento e da severidade das lesões. 

          A Fotobiomodulação utiliza a Luz entregando energia  diretamente às células teciduais que sofrerão injúria durante a Quimioterapia e Radioterapia, possibilitando o controle da inflamação, dor e da reparação tecidual. As lesões ulceradas podem gerar infecções sistêmicas, dificuldade de comer, engolir e até de falar, prejudicando muito  o tratamento e a qualidade de vida do paciente.

          Sendo assim, o profissional  inovador  deve integrar o atendimento interdisciplinar, discutindo com médicos e outros especialistas, qual o melhor tratamento odontológico a ser eleito antes, durante e após o tratamento do câncer, somando competências no cuidado com a saúde global do  paciente oncológico.

Ref. Bibl.

- Systematic review of basic oral care for the management of oral mucositis in cancer patients Deborah B. McGuire & Janet S. Fulton & Jumin Park & Carlton G. Brown & M. Elvira P. Correa & June Eilers & Sharon Elad & Faith Gibson & Loree K. Oberle-Edwards & Joanne Bowen & Rajesh V. Lalla & On behalf of the Mucositis Study Group of the Multinational Association of Supportive Care in Cancer/International Society of Oral Oncology (MASCC/ISOO) Support Care Cancer (2013) 21:3165–3177.

.- Lalla RV, Bowen J, Barasch A, Elting L, Epstein J, Keefe DM, et al. Mucositis Guidelines Leadership Group of the Multinational Association of Supportive Care in Cancer and International Society of Oral Oncology (MASCC/ISOO). MASCC/ISOO clinical practice guidelines for the management of mucositis secondary to cancertherapy. Cancer 2014;15;120(10):1453-61.

Dra. Tatiana Franco

-Especialista (UFRJ) e Mestranda em Periodontia(UVA)
-Especialista em Implantodontia(Unigranrio)
-Habilitada em Laser (USP-SP) e Pós-graduada em Odontologia Oncológica (Instituto de pesquisa Sírio Libanês-SP)

Meu Filho caiu e bateu os dentes: o que fazer agora?

          A INNOVARAKIDS em parceria com a revista Canguru, abordou um tema bastante interessante na edição de setembro, trazendo cuidados e dicas sobre traumatismo dentário na primeira infância.

Revista Canguru setembro 2017

 

          OS DENTES DECÍDUOS (de leite) e os tecidos ao seu redor podem sofrer traumatismo e essa é uma situação comum tanto nos primeiros anos de vida como na vida escolar. O primeiro episódio de traumatismo ocorre normalmente nos primeiros dois anos, quando a criança está aprendendo a andar e não apresenta coordenação motora que lhe permita movimentos seguros e precisos.Também são comuns os acidentes como queda do colo de adultos, do carrinho de bebê e de lugares altos. Durante a vida escolar das crianças os traumatismos são igualmente frequente ao participarem de brincadeiras e praticarem esportes.

          Existem vários tipos de traumatismo relacionados aos dentes de leite. Mesmo os mais simples podem acarretar consequências para o dente afetado e necessitar do tratamento de canal ou mesmo da extração. Para definir o melhor tratamento, o odontopediatra necessitará do exame clínico e radiográfico. As consequências também podem acontecer nos dentes permanentes, já que seus germes estão em estágio de formação e localizam-se próximos das raizes dos dentes de leite. As sequelas podem ocorrer a longo prazo e sua severidade dependerá do tipo de traumatismo e da idade da criança quando ele ocorreu.

          A prevenção do traumatismo inicia-se nos cuidados gerais com a criança, evitando que ela fique sozinha, que ande de meia, estabelecendo áreas da casa mais seguras, cobrindo os cantos dos móveis quando o bebê está aprendendo a andar, assim como mantendo-o em cadeiras apropriadas no automóvel. Os andadores devem ser evitados, pois caso ocorra uma queda, a sua projeção aumenta a força do impacto na boca e nos dentes. Já para as crianças em fase escolar, aconselha-se o uso de capacetes ao andarem de bicicleta, patins e skates e o uso de protetores bucais para aquelas que praticam esportes de contato.

          Se o acidente acontecer, tenha sempre o telefone do odontopediatra de sua confiança. Procure manter a calma e acalmar a criança. Limpe o rosto com água corrente para remover detritos. Avalie se as lesões na pele precisam de sutura (pontos) ou se a criança aprenseta vômito, desmaio ou convulsão: nesse caso é importante que ela se dirija ao médico. Caso contrário, procure o odontopediatra o mais rápido possivel, pois ele tem a técnica, habilidade e experiência para lidar com a situação de urgência, poderá realizar os procedimentos clinicos necessários e acompanhar o caso até o nascimento dos dentes permanentes. Vale lembrar que, se o próprio dente ou algum pedaço dele foi perdido durante o acidente, seja de leite ou permanente, é importante guarda-lo em um recipiente com água, soro ou leite e leva-lo ao seu dentista. Ele avaliará a possibilidade de us-lo ou não durante o tratamento.

Este artigo foi escrito por:

Daniele Cassol ( odontopediatra, ortodontista e professora, é mestre em odontopediatria pela UFRJ

Patricia Tannure ( odontopediatra e professora, doutora em odontopediatria pela UFRJ e mãe de dois meninos de 5 anos, Pedro e Eduardo, gêmeos bivitelinos.

Ambas atendem na Clinica INNOVARAKIDS.

 

Equipe INNOVARAKIDS.

 

A doença cárie e a higiene bucal dos bebês: respostas baseadas em evidência científica.

 

A cárie pode ser transmitida ao bebê?

A cárie dentária é uma doença multifatorial biofilme-açúcar dependente considerada um desequilíbrio conhecido como disbiose. Hoje em dia, a cárie, não é mais considerada uma doença infecciosa e transmissível. Na verdade, os hábitos de higiene e a dieta da família são incorporados na rotina da criança e estes fatores, sejam eles bons ou ruins, serão transmitidos. Por esse motivo, sabe-se que não faz sentido algum orientar mães que evitem o compartilhamento de utensílios com os bebês (testar a temperatura do alimento com a mesma colher) e que restrinjam afeto e carinho acreditando que a cárie será prevenida. O mais importante é transmitir ao bebê hábitos saudáveis, incentivar o consumo de alimentos naturais, e não fazer o uso do açúcar nos dois primeiros anos de vida, para que o seu desenvolvimento seja completo e pleno.


Então devo me preocupar o mais cedo possível em limpar a boca do bebê?

Não. Em bebês que ainda não têm dentes e que fazem uso do aleitamento materno, não há a necessidade de manusear e limpar dentro de sua boca. O uso de gaze, dedeiras, fraldas limpas e soluções líquidas para manusear a boca do bebê são desnecessários, uma vez que não há na literatura científica nenhuma evidência que suporte essa prática por parte do dentista ou do núcleo familiar.


Quando e como devo realizar a escovação dos dentes do meu bebê?

A higiene bucal deve ser realizada quando o primeiro dente do bebê irromper. O ideal é que seja realizada com a escova de dentes de cerdas macias e cabeça pequena, usando uma quantidade mínima(um grãozinho de arroz) de pasta de dentes fluoretada contendo flúor acima de 1000 ppm. Cremes dentais com menor concentração de flúor não possuem efeito preventivo nem terapêutico contra a cárie dentária.


Referências

Feldens, C.A. e Kramer, P.F. Cárie dentária na infância–Uma abordagem contemporânea. Ed. Santos. 2013.
Corrêa, M.S.N.P. Odontopediatria na primeira infância. Ed. Santos. 3ed. 2011.
Oliveira, B. H.; Santos, A. P. P.; Nadanovsky, P. Uso de dentifrícios fluoretados por pré-escolares: o que os pediatras precisam saber?  Residência Pediátrica 2012;2(2):12-9.


Equipe INNOVARAKIDS
Dra. Patrícia Tannure
Odontopediatra, Mestre e Doutora em Odontopediatria (UFRJ)
Prof. da UVA e SLM(RJ)

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INNOVARAKIDS participou do 26º Congresso Brasileiro de Odontopediatria, em Gramado/RS

Nos dias 01 a 03 desse mês, a Dra. Daniele Cassol Arruda participou do 26º Congresso Brasileiro de Odontopediatria que ocorreu em Gramado – RS.

Inúmeros pesquisadores consagrados na especialidade abordaram assuntos extremamente relevantes, através das melhores evidências científicas atuais. Foram discutidos temas como Odontologia materno-infantil, enfatizando os primeiros 1000 dias da criança; Odontologia minimamente invasiva; Oclusão, bruxismo e DTM ao alcance da Odontopediatria; Alterações estruturais do esmalte dentário; Traumatismo alvéolo-dentário na infância e reabilitação bucal em pacientes pediátricos; Terapia pulpar na dentição decídua, entre outros temas bastante significativos para o atendimento do paciente infantil.

O curso Master a respeito de cárie precoce da infância, que teve como palestrantes os renomados professores Saul Paiva (UFMG), Fausto Mendes (USP),  Jaime Cury (Unicamp) e Carlos Alberto Feldens (ULBRA), enfatizou os cuidados com a higiene e com a alimentação na infância; o diagnóstico e as mais indicadas decisões restauradoras; o uso de fluoretos no controle da doença e o impacto na qualidade de vida das crianças acometidas por essa condição. Após o curso, os palestrantes tiveram a oportunidade de discutirem entre si alguns tópicos bastante polêmicos como a ainda questionada cariogenicidade do leite materno versus a importância da amamentação, concluindo que, apesar de até o momento não haver evidência científica que comprove essa associação, o aleitamento materno deve ser instituído de forma racional: livre demanda nos primeiros seis meses de vida e complementar até os 24 meses de idade devido a diversas questões que envolvem não apenas a saúde bucal e geral do indivíduo, mas também o pleno desenvolvimento do sistema estomatognático.

O simpósio ministrado pelo professor Marcelo Bönecker (USP) que abordou as alterações estruturais de esmalte, chamou a atenção para a erosão dentária infantil, condição vista frequentemente na cavidade bucal das crianças, sendo a principal causa a ingestão de produtos ácidos. Alimentos que muitos pais acreditam serem inofensivos, como sucos artificiais e até mesmo alguns naturais, podem colaborar com a erosão ácida causando desgastes na estrutura do esmalte dentário. O simpósio também reiterou a nova recomendação da Associação Americana de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Pediatria de oferecer sucos aos bebês apenas após o primeiro ano de vida. O ideal é que as frutas sejam ingeridas in natura, para que suas fibras e nutrientes sejam preservados e para que não ocorra um aumento rápido da glicose no sangue.

O próximo Congresso Brasileiro de Odontopediatria ocorrerá em 2019 e, com certeza, nossa equipe estará presente trazendo as melhores evidências e novidades! Até lá!

Dra. Daniele Cassol Arruda
Odontopediatra e Mestre em odontopediatria (UFRJ)

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Resp. Técnica: Dra. Tatiana Franco | CRO RJ 21630 | EPAO 3695

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